quinta-feira, 5 de maio de 2011
O mundo está mais seguro sem Bin Laden
-Thomas Neids, secretário de Estado-adjunto dos EUA. Leia mais aqui
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Cesta básica? Não, obrigado!
Macacos me mordam se isto não for verdade! Ao contário do que o governo diz, a cesta básica não foi criada para conter o custo de vida na população mais vulnerável das cidades do país. Trata-se de uma conversa fiada para boi dormir ou mais um número deste circo para entreter as massas e impedi-las de se manifestarem violenta ou pacificamente em prol do seu bem-estar, um direito fundamental e de cumprimento obrigatório por qualquer Estado, à luz do contrato social.
Na verdade, uma vez mais os dirigentes deste país estão aproveitar-se do exacerbado e secular infantilismo político e de cidadania, que impede os moçambicanos de fazer valer os seus interesses. A população, por sua vez, levada a pensar que não é capaz de andar com os próprios pés, deixa-se iludir, quais cegos guiados por outros cegos. Ora, um dos indícios de que estamos perante uma decisão demente e não aplicável, são as sucessivas controvérsias e dúvidas, que pairam sempre que um curioso e histrionico do governo vem à público falar sobre o assunto.
Depois da revisão do escalão da categoria salarial dos trabalhadores elegíveis para beneficiar da cesta básica, dos 2000 mil meticais para 2500, dos questionamentos da Central Sindical (OTM-CS) sobre a base a ser encontrada pelo governo para que a partir do segundo semestre deste ano as pessoas comecem a beneficiar da “bendita cesta” e depois das tentativas incoerentes de esclarecimentos que são dadas pelo governo, o grupo dos que consideram que o executivo ainda não está preparado para apresentar medidas eficazes e claras para conter o custo de vida, aumentou.
Parece que o nível de desespero e receio por represálias populares à semelhança do que acontece hoje em todo mundo, obriga o governo adoptar até medidas banais para tentar tapar o sol com a peneira. Mas, sublinhe-se que quer a cesta básica, como as outras estão longe de ser aplicáveis e possuem pouca probabilidade de eficácia. Sem dúvidas, que o governo deveria dinamizar mais as áreas produtivas. Só com o crescimento da produção e produtividade a todos os sectores, iremos ter alimentos para acabar com a fome e a pobreza no país.
Caso não e em piores hipóteses, ajudaria uma definição dos alvos para esses subsídios, nomeadamente, grupos de rendimento e grupos flexíveis, em função do que acontece ao nível dos preços internacionais. Mas, parece não ser igualmente viável para um país como o nosso, onde a pobreza chega a atingir as raias do dramático. CHOREMOS!
Cadeiras do Estádio Nacional
Olá Julia
Bom dia, minha boa amiga. Como vais tu e a tua família? Espero que bem. Do meu lado tudo bem. Embora se possa pensar que o tema não é próprio, numa carta de um cavalheiro a uma senhora, hoje venho falar-te de rabos. Sim, de rabos, seus tamanhos, volumes e pesos.
E tudo isto na base da recente inauguração do Estádio Nacional do Zimpeto. Sobre a pompa e circunstância já outros falaram. Eu volto à questão dos rabos. Segundo li na imprensa, nesta inauguração, mais de uma centena de cadeiras foi partida. Cerca de sessenta das quais na zona VIP.
Ora eu vi fotos das tais cadeiras partidas e, dessas fotos, me parece claro que o problema que existe é a falta de qualidade daquelas cadeiras, presas ao cimento da bancada por uns parafusos de muito duvidosa resistência.
Vais-me perguntar: o que é que isso tem a ver com rabos? E eu respondo-te. Tem tudo. Muito provavelmente aquelas cadeiras, e o seu sistema de fixação, estão preparadas e têm resistência calculada para rabos chineses, pequenos e magrinhos. Para esses, muito provavelmente, elas funcionam bem.
Agora quando elas são sujeitas a suportar os rabos, bem maiores e mais pesados, dos nossos concidadãos, a estrutura já não aguenta, o metal cede e as cadeiras partem. E repara, Júlia, que, das cerca de cem cadeiras que se partiram, cerca de sessenta foram na zona VIP.
Onde é que tu achas que os rabos são maiores, e mais pesados, senão na zona VIP? Ao princípio tentou-se atribuir as culpas a actos de vandalismo por parte dos espectadores mas será, Júlia, que a principal percentagem de vândalos está nos espectadores VIP? Ao que parece a empresa chinesa de construção comprometeu-se a substituir as cadeiras partidas. Mas eu pergunto: sendo o problema estrutural e não daquelas cem cadeiras em particular, será que a empresa chinesa vai substituir as 42 mil cadeiras ou, pelo menos, todo o sistema de fixação das cadeiras ao cimento, em todo o estádio?
Se o fizer temos obras para muito mais tempo. E para muito mais dinheiro esbanjado. Se não o fizer iremos ficar, gradualmente, sem cadeiras de plástico e com bancadas apenas de cimento, como em todos os outros estádios do país.
De qualquer forma creio que, antes de fazer as reformas, a empresa chinesa faça um estudo profundo sobre os tamanhos e pesos dos rabos moçambicanos. Com análise de casos concretos quer dos cidadãos comuns, quer de alguns rabos VIP, devidamente seleccionados.
Mas as coisas não parecem ficar por aqui. Pessoa que assistiu à inauguração diz-me que são já visíveis rachas no cimento em várias partes do estádio. E há que não esquecer alguns antecedentes. Lembras-te que no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, no Ministério dos Negócios Estrangeiros e no novo Aeroporto de Maputo há duas coisas em comum: terem sido construídos por empresas chinesas e, em todos eles, chover lá dentro.
O argumento para continuar a usar essas empresas é que trabalham barato e a crédito, mas costuma-se dizer que o barato sai caro e, neste caso das cadeiras, estou com curiosidade de saber qual vai ser o aumento na conta que teremos que pagar.
Enfim, são os chamados “negócios da China”. Um beijo para ti do
Escrito por Machado da Graça
sexta-feira, 29 de abril de 2011
“Santo, súbito”?!
Roma prepara-se para beatificar o papa João Paulo II, na sequência da cerimónia a acontecer este domingo no vaticano, tenho o prazer de partilhar este texto, que não é da minha autoria, mas é próprio para um bom debate sobre a beatificação daquele que é tido como um dos papas mais humano dos últimos anos.
Ainda em vida, o papa João Paulo II tudo fez para ser aclamado/idolatrado pelas multidões do mundo. Ao contrário de Jesus de Nazaré que, quando as multidões queriam aclamá-lo rei, sempre se furtou a esse tipo de messianismo idolátrico. E quando, por ocasião da sua entrada profética em Jerusalém, não teve mais como evitá-lo, foi para daí a dias ser preso pelas autoridades, julgado, condenado à morte e executado na cruz como maldito, não como santo. Até os dias da sua agonia e os do seu funeral, tão mediatizados, o Papa João Paulo II cuidou antecipadamente que fos-sem os da sua entronização definitiva como santo. E assim se fez. Pensam que foi espontâneo aquele grito das multidões presentes no funeral, "Santo, subito"? Tudo foi programado ao pormenor.
Como também foi programado que o seu sucessor haveria de ser o cardeal Ratzinger, o seu braço direito e o seu cúmplice na perseguição a reconhecidos teólogos da libertação, defensores da eclesiologia de comunhão que o Concílio Vaticano II consagrou e que a Cúria Romana não pode sequer ouvir falar. Saibam que a Cúria do Vaticano não brinca em serviço. Todo aquele fausto, mesmo litúrgico, em que é perita, é imperial, não é jesuânico; tem tudo a ver com o Deus do antigo Império Romano, e nada a ver com o Deus de Jesus de Nazaré, o Crucificado pelo Templo e pelo Império coligados.
Ora, como os favores com favores se pagam, o papa Bento XVI/Ratzinger, só podia assumir, como um dos seus primeiros actos oficiais, a abertura oficial, em 28 de Junho 2005, da causa de beatificação de João Paulo II. E até já se fala num milagre operado numa freira, conseguido pela oração/cunha de outras freiras. Fica tudo em família. Deste modo, os negócios da Cúria Romana podem prosseguir sem percalços, porque um papa feito santo enquanto o Diabo esfrega um olho, dá milhões aos cofres do Vaticano e, sobretudo, dá um prestígio do caraças.
Por outro lado,se o papa João Paulo II é assim canonizado sem mais, então também são canonizadas com ele as notórias posiões anti-jesuânicas dele contra a Teologia da Libertação, contra a eclesiologia de comunhão, contra a ordenação de mulheres, contra o celibato opcional dos padres, contra o uso responsável do preservativo, e contra as pessoas homossexuais e lésbicas. E ainda muitas outras acções criminosas, realizadas duran-te os largos anos do seu pontificado e com a sua bênção papal: "O Vaticano vendeu armas, financiou ditaduras, golpes de Estado, ocorreram falências financeiras e bancárias e por causa delas muitas pessoas «se suicidaram», além de ter ordenado operações encobertas do serviço de espionagem pontifício." (cf.E.Frattini, A santa aliança. Cinco séculos de espionagem do Vaticano, Campo das Letras, 2005)
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Carlos Cardoso vive!
A pátria moçambicana, pode orgulhar-se de ter parido grandes homens, apesar de nem sempre lhes cultuar a memória gloriosa como é de justiça. É fácil aqui, preconceitos à parte, mencionar alguns, sem ser preciso recorrer a um Mondlane, a um Simango, a um Machel, a uma Simeão, a um Magaia, a um Matsangaíssa e mais recentemente a um Siba-Siba Macuacuá entre outros. Nesta pequena lista de heróis, com certeza que ficará por mérito próprio, um dos melhores filhos deste país: Carlos Cardoso. Indubitavelmente um moçambicano que, pelas suas convicções, pode e bem, ombrear com figuras como Martin Luther King, Nelson Mandela, Ché Guevara, John F. Kennedy, Malcom X, entre outros.
Os da sua geração apontam-no como “um mártir da liberdade de imprensa, pelo extraordinário trabalho de jornalista investigativo, que ousou interferir na rede da corrupção e do crime organizado no seu país, por isso foi assassinado”. Quanto a mim, a sua obra é de dimensões universais. Faltou-lhe apenas ter nascido num país de maior projecção internacional e que bem cuidasse da reputação dos seus melhores filhos, para que hoje o seu nome corresse de boca em boca à escala planetária.
O contexto da sua morte
O que se segue é uma tentativa sucinta e apaixonada de descrever o contexto da sua morte com base nos vários documentos tipo relatórios, jornais e tantos artigos publicados na Internet ao longo destes anos. Aconselho aos que se interessarem mais pelo assunto, a procurarem por outras fontes.
1992-1996
Passam por estes dias, 10 anos desde a sua morte. Por razões óbvias, recuemos no tempo até 1992, data da assinatura dos acordos gerais de paz e da fundação do Banco Comercial de Moçambique (BCM). Desde então, a economia do país começou a crescer de forma impressionante. A agricultura continuou a ser o motor da economia, mas o país tinha enormes recursos hidroeléctricos, petróleo e gás natural por explorar.
Nesse ambiente, Carlos Cardoso e outros profissionais, criaram o Mediafax, uma publicação orientada para um jornalismo de investigação, notabilizando-se sobretudo na abordagem de temas polémicos. Ainda em Maio desse ano, surgiu pela mão do mesmo grupo, outra publicação: o semanário SAVANA.
Logicamente, apesar do visível crescimento do país, como um bom jornalista que era, Cardoso tinha dúvidas sobre os reais beneficiários da revolução capitalista de Moçambique. Ligado aos sectores mais radicais da Frelimo (socialistas), denuncia o alastramento da corrupção e os abusos de poder. Atribui o elevado crescimento do país, não a um desenvolvimento sustentável, mas a especulações na banca e no imobiliário em Maputo, à lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e outras actividades ilegais. Torna-se uma personagem incómoda pela forma desabrida como relatava as situações. Começa a afirmar-se que sabia demais.
Para dar credibilidade a muitas das suas afirmações mais polémicas aponta-se o facto de em 2000, a Agência Americana Anti-Drogas (DEA), que tinha aberto um gabinete na vizinha África do Sul, em 1997, para monitorizar o explosivo crescimento da indústria de narcóticos na região, ter identificado Moçambique como um dos principais portos de entrada de drogas ilegais oriundas do Sudeste Asiático. Estas drogas são depois enviadas para a Europa.
Embora continuasse a ser um simpatizante da FRELIMO, Carlos Cardoso estava convencido que as políticas do governo beneficiavam principalmente os ricos. À medida que avançava nas suas investigações, descobria novos casos de corrupção entre membros do partido no poder que acumulavam enormes fortunas pessoais.
1997-2000
Em 1997, abandona o Mediafax e lança o Metical. Fiel às suas raízes socialistas, dirigiu este jornal como uma cooperativa. A partir de 1998, para além do seu trabalho jornalístico, envolveu-se na política local em Maputo, tornando-se membro do Conselho Municipal. No Metical passou a denunciar figuras de topo da FRELIMO.
Com esta trajectória interventiva, a história oficial da sua vida aponta para um dos desfechos mais comuns em África: assassinato a mando daqueles que foram feridos nos seus interesses. E como tal, em termos físicos foi barbaramente assassinado às 18 horas de 22 de Novembro de 2000, mas a sua obra e o seu espírito subsistirão intactos na memória de todos os homens de bom-senso deste país. Muitos Cardosos ainda virão!
Ele vive!
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