sexta-feira, 6 de maio de 2011
A morte de Bin Laden, por Leonardo Boff
Alguém precisa ser inimigo de si mesmo e contrário aos valores humanitários mínimos se aprovasse o nefasto crime do terrorismo da Al Qaeda do 11 de novembro de 2001 em Nova Iorque. Mas é por todos os títulos inaceitável que um Estado, militarmente o mais poderoso do mundo, para responder ao terrorismo se tenha transformado ele mesmo num Estado terrorista. Foi o que fez Bush, limitando a democracia e suspendendo a vigência incondicional de alguns direitos, que eram apanágio do pais... continuar aqui
quinta-feira, 5 de maio de 2011
A morte de Bin Laden, por Jeremias Langa
Bin Laden morreu, mas o terrorismo não. Para a infelicidade do mundo, o terror de inspiração islâmica não se foi com o seu mentor. Continua uma ameaça real. Bin Laden era sobretudo um inspirador de muitos grupos de fanáticos. Continue aqui
O mundo está mais seguro sem Bin Laden
-Thomas Neids, secretário de Estado-adjunto dos EUA. Leia mais aqui
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Cesta básica? Não, obrigado!
Macacos me mordam se isto não for verdade! Ao contário do que o governo diz, a cesta básica não foi criada para conter o custo de vida na população mais vulnerável das cidades do país. Trata-se de uma conversa fiada para boi dormir ou mais um número deste circo para entreter as massas e impedi-las de se manifestarem violenta ou pacificamente em prol do seu bem-estar, um direito fundamental e de cumprimento obrigatório por qualquer Estado, à luz do contrato social.
Na verdade, uma vez mais os dirigentes deste país estão aproveitar-se do exacerbado e secular infantilismo político e de cidadania, que impede os moçambicanos de fazer valer os seus interesses. A população, por sua vez, levada a pensar que não é capaz de andar com os próprios pés, deixa-se iludir, quais cegos guiados por outros cegos. Ora, um dos indícios de que estamos perante uma decisão demente e não aplicável, são as sucessivas controvérsias e dúvidas, que pairam sempre que um curioso e histrionico do governo vem à público falar sobre o assunto.
Depois da revisão do escalão da categoria salarial dos trabalhadores elegíveis para beneficiar da cesta básica, dos 2000 mil meticais para 2500, dos questionamentos da Central Sindical (OTM-CS) sobre a base a ser encontrada pelo governo para que a partir do segundo semestre deste ano as pessoas comecem a beneficiar da “bendita cesta” e depois das tentativas incoerentes de esclarecimentos que são dadas pelo governo, o grupo dos que consideram que o executivo ainda não está preparado para apresentar medidas eficazes e claras para conter o custo de vida, aumentou.
Parece que o nível de desespero e receio por represálias populares à semelhança do que acontece hoje em todo mundo, obriga o governo adoptar até medidas banais para tentar tapar o sol com a peneira. Mas, sublinhe-se que quer a cesta básica, como as outras estão longe de ser aplicáveis e possuem pouca probabilidade de eficácia. Sem dúvidas, que o governo deveria dinamizar mais as áreas produtivas. Só com o crescimento da produção e produtividade a todos os sectores, iremos ter alimentos para acabar com a fome e a pobreza no país.
Caso não e em piores hipóteses, ajudaria uma definição dos alvos para esses subsídios, nomeadamente, grupos de rendimento e grupos flexíveis, em função do que acontece ao nível dos preços internacionais. Mas, parece não ser igualmente viável para um país como o nosso, onde a pobreza chega a atingir as raias do dramático. CHOREMOS!
Cadeiras do Estádio Nacional
Olá Julia
Bom dia, minha boa amiga. Como vais tu e a tua família? Espero que bem. Do meu lado tudo bem. Embora se possa pensar que o tema não é próprio, numa carta de um cavalheiro a uma senhora, hoje venho falar-te de rabos. Sim, de rabos, seus tamanhos, volumes e pesos.
E tudo isto na base da recente inauguração do Estádio Nacional do Zimpeto. Sobre a pompa e circunstância já outros falaram. Eu volto à questão dos rabos. Segundo li na imprensa, nesta inauguração, mais de uma centena de cadeiras foi partida. Cerca de sessenta das quais na zona VIP.
Ora eu vi fotos das tais cadeiras partidas e, dessas fotos, me parece claro que o problema que existe é a falta de qualidade daquelas cadeiras, presas ao cimento da bancada por uns parafusos de muito duvidosa resistência.
Vais-me perguntar: o que é que isso tem a ver com rabos? E eu respondo-te. Tem tudo. Muito provavelmente aquelas cadeiras, e o seu sistema de fixação, estão preparadas e têm resistência calculada para rabos chineses, pequenos e magrinhos. Para esses, muito provavelmente, elas funcionam bem.
Agora quando elas são sujeitas a suportar os rabos, bem maiores e mais pesados, dos nossos concidadãos, a estrutura já não aguenta, o metal cede e as cadeiras partem. E repara, Júlia, que, das cerca de cem cadeiras que se partiram, cerca de sessenta foram na zona VIP.
Onde é que tu achas que os rabos são maiores, e mais pesados, senão na zona VIP? Ao princípio tentou-se atribuir as culpas a actos de vandalismo por parte dos espectadores mas será, Júlia, que a principal percentagem de vândalos está nos espectadores VIP? Ao que parece a empresa chinesa de construção comprometeu-se a substituir as cadeiras partidas. Mas eu pergunto: sendo o problema estrutural e não daquelas cem cadeiras em particular, será que a empresa chinesa vai substituir as 42 mil cadeiras ou, pelo menos, todo o sistema de fixação das cadeiras ao cimento, em todo o estádio?
Se o fizer temos obras para muito mais tempo. E para muito mais dinheiro esbanjado. Se não o fizer iremos ficar, gradualmente, sem cadeiras de plástico e com bancadas apenas de cimento, como em todos os outros estádios do país.
De qualquer forma creio que, antes de fazer as reformas, a empresa chinesa faça um estudo profundo sobre os tamanhos e pesos dos rabos moçambicanos. Com análise de casos concretos quer dos cidadãos comuns, quer de alguns rabos VIP, devidamente seleccionados.
Mas as coisas não parecem ficar por aqui. Pessoa que assistiu à inauguração diz-me que são já visíveis rachas no cimento em várias partes do estádio. E há que não esquecer alguns antecedentes. Lembras-te que no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, no Ministério dos Negócios Estrangeiros e no novo Aeroporto de Maputo há duas coisas em comum: terem sido construídos por empresas chinesas e, em todos eles, chover lá dentro.
O argumento para continuar a usar essas empresas é que trabalham barato e a crédito, mas costuma-se dizer que o barato sai caro e, neste caso das cadeiras, estou com curiosidade de saber qual vai ser o aumento na conta que teremos que pagar.
Enfim, são os chamados “negócios da China”. Um beijo para ti do
Escrito por Machado da Graça
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