domingo, 10 de janeiro de 2010

Que 2010 seja melhor!

Lichinga (Faísca) – Quando esta cópia do jornal estiver nas suas mãos ou no seu computador, já estaremos em 2010. Para trás ficou o ano de 2009 um ano cheio de muita realização alguma sem peso, ou com muito peso.

Os projectos pessoais e colectivos que ficaram adiados em 2009 esperamos que sejam concretizados em 2010. Quando se chega no final de cada ano há sempre espaço para um balanço, o que não deixaremos de fazer. As obras do ESTADO na província continuaram a ser feitas sem o cumprimento dos prazos, sem qualidade.

O conterranismo, amiguismo, também estiveram patentes na atribuição de determinados cargos de chefia na função pública. As estradas do Niassa continuam com o mesmo pedaço de alcatrão, embora tenha transpirado algo dando a entender que haveria asfaltagem da N13.

Nos conselhos municipais vimos novos dirigentes a tomarem posse para um mandato de cinco anos. É nestes municípios onde há problemas por resolver, mas que estão a ser relegados para o terceiro plano. Os actuais presidentes esqueceram o prometido durante o tempo da caça ao voto. Esperamos que as obras municipais em Lichinga, Cuamba, Marrupa e Metangula tenham uma celeridade para o bem dos munícipes.

É complicado que uma cidade capital se equipare a um posto administrativo de Nampula, Maputo. O edil de Lichinga ainda dorme na sombra do pinheiro, adiando as promessas eleitorais que ele próprio fez em Novembro de 2008. Continua a apostar em obras mesquinhas e não toca nos problemas bicudos que são o nó do estrangulamento da urbe.

As estradas continuam com o mesmo asfalto de 1964, muito pouco foi feito para alargar a rede de estradas asfaltadas de Lichinga. Estamos preocupados com a estagnação de algumas regiões da província do Niassa, tudo por causa do tipo de dirigentes que lá existem.

O nosso desejo é que em 2010 haja uma governação seria sem perseguições, com muita inovação e acima de tudo muito sossego para os técnicos para poderem implementar o PES. Esperamos que todos tenham o direito a opinião em assuntos importantes que tocam esta região do País.

Finalmente uma mensagem para os nossos leitores para que continuem a ler o nosso produto.
Temos dito
Editorial Jornal Faísca 1.01.10

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Desata-te! O que é que te impede?

Ao iniciar o ano de 2010, como diz o ditado “ano novo vida nova”, devemos tentar começa-lo com energia positiva libertos de conceitos e preconceitos, que nos impedem de seguir um caminho livre de ataduras, como ainda se fossemos “escravos”. E tu és escravo de quê? Do teu partido? Da tua religião? Das feridas que recebeste quando eras criança? De algum vicio nocivo que te vai matando aos poucos? Daquilo que alguém decidiu por ti ou duma relacao que não te satisfaz? De um trabalho que não desfrutas ou da vida que levas?

Desata-te! Deixa para trás o fardo que levas e que nele guardas animosidade, rancor e culpa. Deixa já de culpar aos outros, por aquilo que te foi mal na vida. Em cada dia que passa, tens a oportunidade de começar outra vez. Cada manhã, ao abrires os olhos, nasces de novo, recebes outra oportunidade para mudar a tua vida em direcção àquilo de que gostarias de melhorar. A possibilidade é toda tua.

O que é que te impede? O medo do insucesso? Do êxito? Do fracasso? Daquilo que dirão os outros? Da critica? De cometeres erros? De estares só? Rebenta já a corrente com que tu mesmo te amarraste. O único a que deves temer é a ti próprio, ao deixares passar a vida sem fazeres o que queres e decidir as tuas coisas de acordo com os teus princípios e convicções. Os erros do passado já foram esquecidos e os erros do futuro serão perdoados. Podes ter a certeza de que ninguém guarda um ressentimento daquilo que fizeste mal. Só tu mesmo…Esse juiz que te condena esse algoz, esse mau amigo que sempre te critica… és tu mesmo. Deixa-te em paz e perdoa-te só tu podes conseguir.

Acorda! Esta é a vida! A vida não é o que sucede quando se cumprem todos os teus planos, nem quando tiveres o que desejas. A vida é o que está a passar agora e neste preciso momento. Pensa: neste momento o teu coração leva sangue a todas as células do teu corpo e os teus pulmões levam oxigénio aonde ele é necessário. Neste momento, existe algo que não podemos compreender muito bem, que te mantém vivo e que te permite ver, pensar, expressar-te, mover-te, rir e até chorar se quiseres. Sobre o dia de amanhã não sabemos, meu irmão. Mas de uma coisa eu tenho certeza: a vida é hoje e a morte é o fim!

Não te habitues a acordar aborrecido, mal-humorado ou preocupado. Põe a mão no teu peito e sente o coração a bater com força, dizendo-te: “estás vivo, estás vivo, estás vivo”. Eu sei que a vida não é perfeita e que está cheia de situações difíceis. E é talvez, por isso que te oferece todas as ferramentas de que necessitas para enfrenta-la: a liberdade de escolher como reagir perante aquilo que sucede; o amor, carrinho e o apoio dos teus seres queridos. Sei também que não és perfeito; ninguém é. No entanto, há milhões de circunstâncias que estão reunidas para que existas.

Foste formado a partir de um desenho maravilhoso e partilhas com toda a humanidade as virtudes e defeitos. Assim está inscrito nos genes de todos os seres humanos, teus irmãos universais. As tuas paixões, os teus medos, as tuas feridas, as tuas debilidades, a tua agressividade, os teus segredos, em suma os teus pontos fracos deves partilhar com os teus irmãos de sangue e de vida. Esses supostos defeitos são parte da tua liberdade e da tua humanidade. E se, acaso, perguntas quem sou eu para te dizer tudo isto, respondo-te que não sou ninguém, sou simplesmente uma versão diferente daquilo que tu és: outro ser humano entre milhares de milhões, mas um que decidiu ser livre e desfrutar do prazer e da maravilha que a vida é. Desata-te! O que é que te impede? Conto contigo.
Feliz natal e prospero 2010


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Investir na provincia do Niassa

Lichinga (Faísca) - A província de Niassa volta mais uma vez a entrar no centro do barulho no tocante ao investimento estrangeiro. Esta semana em Lichinga tem lugar uma conferência sobre os projectos florestais em curso na província do Niassa.
Há muito tempo que não havia algo para sacudir alguns pendentes ligados ao investimento nacional e estrangeiro na província do Niassa.
Quando se fala de florestas, logo a primeira é tocada a questão da TERRA! Terra essa que já não abunda muito na província.
É que são quatro empresas posicionadas em partes de cinco distritos do Niassa, distritos com alguns problemas de desmatamento.
São as famosas consultas comunitárias que não acontecem, são favores a esta e aquela empresa florestal na emissão de DUAT em detrimento de outras. É neste prisma que é feito o desenvolvimento da província do Niassa nos últimos cinco anos!
A conferência é importante por surgir nas vésperas de mais uma época de plantio de pinheiro e eucaliptos nos distritos de Mandimba, Sanga, Ngaúma, Muembe, Lichinga e Lago.
A conferência é mais importante ainda porque permite-nos ver até que ponto o prometido está sendo cumprido por parte dos investidores.
Olhando para o aspecto positivo deste investimento, nota-se que há muito emprego formal em Mbandeze, Chiconono, Maniamba, Massangulo, Mussa, Mapaco e na cidade de Lichinga.
Notamos que há muito moçambicano que tem acesso ao banco e usa as famosas ATM’s em cada mês para ter acesso ao Metical.
Notamos também que alguns bancos comerciais da praça beneficiam deste investimento estrangeiro todos os dias.
Mas acreditamos que ainda falta muita coisa, como escolas (de qualidade), furos de água, etc e etc prometidos nas negociações para o acesso aos milhões de terra.
Acreditamos que da parte do Governo do Niassa, deve haver uma mudança de atitude na fiscalização destes investimentos.
A conferência provincial sobre o reflorestamento servir de trampolim político de uma gang algures sem direcção.
É que há muito ainda por ser feito até 2015, altura em que se espera que as primeiras colheitas começam a sair nas florestas.
Há que falar da reabilitação da linha-férrea Cuamba-Lichinga, estradas, expansão da energia eléctrica e outros serviços de apoio aos distritos onde os projectos são implementados.
Temos dito!
Editorial, Jornal Faísca, 4.12.09

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

22 de Novembro de 2009

Em Memória de Carlos Cardoso

Ano de 2000. Tarde de quarta-feira 22 de Novembro. Carlos Cardoso fechou a edição do dia e enviou por Fax o Metical aos mais de 400 assinantes, sobretudo diplomatas, funcionários e pessoas ligadas aos negócios. O dia caía, por volta das 18 horas entrou no carro com o motorista e dirigiram-se à casa.

Pelo caminho, numa das avenidas de Maputo, duas viaturas Vokswagen, um Citti Golf vermelho e outro 1600 Sedan com vidros fumados, bloquearam o seu automóvel. De acordo com várias notícias, dois homens armados com AK-47 saíram de um dos veículos e atiraram fatalmente contra o jornalista e feriram o seu motorista.

Morria nesse instante supremo um grande homem, o percursor do jornalismo investigativo em Moçambique e porta-voz das minorias empobrecidas e oprimidas que com suor e sacrifício sobrevivem à intempérie a tentar encontrar a sua voz e vez. Foi o maior no jornalismo e um dos melhores entre os filhos de Moçambique, é por isso que, o seu nome ficará indelevelmente marcado no rodapé da história contemporânea deste país.

As causas por detrás da sua morte suscitaram muitas interpretações, todavia a maior parte delas ponderam que Cardoso foi morto porque representava uma grande ameaça contra a corrupção, a lavagem de dinheiro, o narcotráfico, o abuso de poder, o enriquecimento ilícito entre outros crimes. A maior parte desses males eram e continuam a ser protagonizados por pessoas ligadas ao poder politico e económico. Nesta ordem de ideias, em 2001, numa das suas passagens, um relatório do Comité para Protecção de Jornalistas, escreveu nos seguintes termos: “ Cardoso tinha sido morto por que era o único jornalista que tinha os contactos, a habilidade e a tendência para confrontar as elites no poder com provas sobre a sua própria corrupção”.

De lá para cá, passam nove anos. São nove anos de eterna saudade. Anos de ausência-presença. Anos de dor. Anos de nostalgia. Anos de frustração e de rancor por parte de seus familiares, amigos e muitos outros cidadãos que se revêem e se espelham em seus ideais, pelo que um simples julgamento e uma pena máxima contra os seus assassinos constituem uma insignificância para repor o vazio e o luto que ele deixou.

Entretanto, para além de dar que falar, a sua morte despoletou várias faces ocultas do sistema politico e economico de turno na época, como também pôs a nu muita podridão, outrora encobertas pelos mais eficazes métodos maquiavélicos. A partir daí, o país, demonstrou ao mundo, até à saciedade, a hipocrisia e a mentira por que sempre se regeu. Passou-se a conhecer na integra os indivíduos que ditam as regras do jogo, como também fez-se saber que, às vezes o estatuído na lei serve apenas para o Inglês ver tal como aconteceu com a liberdade de imprensa preconizada em principio na Constituição de 1990, Cardoso quis fazer o seu uso e logo foi morto.

Com a morte deste grande homem, Moçambique passou, cada vez mais, a ganhar lugar no grupo dos países mais corruptos do mundo e cresceu sobre si o número de pesquisas e investigações sobre actividades ilegais. Posteriormente, esses estudos pariram inúmeras exposições violentas que mancharam a nossa imagem no contexto das nações. Um deles foi em 2000 quando o famoso relatório da Agência Americana Anti-Drogas (DEA) que tinha aberto um gabinete na vizinha África do Sul, em 1997, para monitorizar o explosivo crescimento da indústria de narcóticos na região, reportou que Moçambique era um dos principais portos de entrada de drogas ilegais oriundas do Sudeste Asiático e, ainda segundo a DEA, a maior parte deste tráfico é, posteriormente, enviado para a Europa.

Assim, volvidos que são nove anos é necessário que novos Cardosos surjam para prosseguir com os ideais do primeiro. Moçambique continua a subir na lista dos mais corruptos entre as nações, a pobreza cresce, a exclusão social aumenta, as assimetrias regionais prevalecem, o tribalismo e regionalismo nos caracterizam, a partidarização do aparelho de Estado é o nosso modus vivendi, o país virou um suave Zimbabué e o aparelho de Estado um feudo gerido por gente individualista até ao nojo.

Em meu entender, as condições existem, mas faltam a coragem e estômago para tal, algo que persiste, devido a crónica mentalidade de defesa do pão, labebotismo e escovismo crassos que caracterizam muitos jornalistas deste país. Cardoso era destemido e mais do que isso foi um verdadeiro patriota, razão pela qual deu a sua vida pela pátria amada. Por tudo isso e muito mais, o seu nome continuará a inspirar gerações. Que a sua alma descanse na paz dos anjos e que Deus lhe perdoe as suas faltas!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

AEU-UEM E OS CONTORNOS DE UMA PALESTRA/CAMPANHA

Basta apenas um olhar desatento e superficial, em relação ao desempenho do actual elenco da Associação dos Estudantes Universitários da UEM, para chegar-se a conclusão errada de que este constitui o melhor grupo que já alguma vez presidiu os destinos daquela Associação. Foi nessa ordem de ideias que há um tempo publiquei alguns escritos a valorizar, elogiar e exaltar os feitos, aparentemente positivos da referida turma.

Hoje é claramente notório que, os dirigentes deste órgão, guiam-se pela táctica que consiste em turvar as águas para manipular a opinião estudantil e camuflar os podres que mantêm por detrás daquelas caras tipo anjinhos, ou seja, fingem que trabalham em prol dos estudantes enquanto no fundo são autênticos oportunistas e precursores do latrocínio que até agora, graças ao diabo, continuam a enganar-nos, inclusive de tanta habilidade conseguem granjear simpatias até da própria reitoria. Por conseguinte, em detrimento de bibliotecas, livrarias, museus e cultivar nos estudantes o hábito de leitura, dedicam-se a assinar acordos para obter descontos nas discotecas e outras casas de diversão. É por essa via que, quando deles esperamos a criação de debates e reprodução de ideias com vista a solucionar as crises que assolam o país, nos embriagam com festas estupidamente narcotizantes que prolificam ambientes propícios para o despontar de uma juventude adúltera, domesticada e mentalmente estéril, assim também uma geração de lacaios completamente desprovidos de senso crítico.

Na mesma óptica, no lugar de promover palestras científicas e académicas organizam campanhas eleitorais como aconteceu no passado dia 2 de Outubro. Alias, olhando para os contornos com que, o evento tomou, afigura-se certo afirmar, sem sombra de dúvidas que a sua realização foi oportuna, pois, apesar de voltarem frustrados e revoltados por terem sido servidos Gato ao invés de Lebre como antes foi anunciado, os estudantes/participantes disseram ter sido uma boa lição de vida e acrescentaram ter saído de lá mais lúcidos e libertos, doravante jamais serão enganados. “A máscara partidária da AEU acabava de cair naquele dia”, afirmam. Para mais informações sobre o evento, vide no Canal de Moçambique de 6-10-09 e no Magazine independente de 21-10-09, os debates em: http://comunidademocambicana.blogspot.com/search?q=AEU.

Com efeito, em resposta a fortes pressões internas e externas oriundas dos estudantes bem como de algumas faculdades que chegaram a ameaçar não colaborar com a associação por causa de tais patranhas e outras atitudes pouco dignas para pessoas que dirigem um órgão do género, o presidente da AEU, numa atitude nobre, mas forçada, deu a mão à palmatória e reconheceu o erro pedindo desculpas por via de um comunicado que agora pulula de canto em canto na Universidade e nas residências.

Entretanto, pelo sim ou pelo não, parecer que as coisas não andam lá muito bem na associação e a referida palestra constituiu a gota de água que precipitou os ânimos, ao avivar rancores ocultos que, por sua vez, deram a conhecer sobre a existência de graves problemas no seu seio. Segundo ficou-se a saber, AEU que outrora, em 1991, foi criada para servir os interesses dos estudantes, agora virou um clube de amigos e um verdadeiro feudo cujo objectivo é resolver problemas ligados à fome de uma pequena elite interna. Regista-se tambem sérios indícios de nepotismo e falta de transparência na gestão dos 60 meticais que os mais de 20 mil estudantes da UEM pagam anualmente para garantir a sobrevivência do órgão. Esta tendência vai ganhando forma devido ao espírito de falta de prestação de contas, propositadamente implantado por ali. Ligadas a tais incoerências, estão os frequentes desentendimentos e desatinos na tomada de decisões.
Neste capítulo, as fontes apontam que, desde Setembro de 2008 (época da tomada de posse), até agora, como forma de retaliação, três elementos chave da direcção geral abandonaram o órgão e a há pouco tempo se demitiram dois chefes sobejamente conhecidos pelas suas duras críticas aos desmandos ali instituídos.

Segundo esses relatos, além disso, no rol das discórdias constam algumas viagens desnecessárias, habilmente concebidas para esbanjar fundos. Tais actos são alegadamente protagonizados por pessoas que sintomaticamente ocupam os lugares cimeiros do poleiro. No mesmo diapasão, há indicações do uso abusivo e anti-racional de produtos doados para actividades académicas, ou seja, chega-se ao ridículo de cozinhar com a água mineral remanescente das palestras, para além de vendas ocultas de camisetes requisitadas para marchas estudantis como aconteceu na lufa-lufa de17 de Novembro de 2008.

Assim, alguns membros que ainda sobrevivem à intempérie tentam em vão batalhar para a realização da Assembleia-geral (que está para breve segundo os mesmos) tida como provável bóia de salvação, enquanto imploram a Deus, para que mande uma chuva de auditorias nas contas da associação, com vista a pôr a nu toda rapina que subjaz nas suas entranhas.

Enquanto tal não acontece o meu apelo vai direccionado aos nossos ilustres dirigentes para que levem a bom porto esta instituição que é de todos nós. Não convêm que os seus destinos estejam a mercê de jovens imaturos a sair da puberdade, sem espinha dorsal e um desenvolvimento integral, muito menos ainda sem audácia para se meterem nas mesmas causas históricas e heróicas pelas quais os nossos pais Eduardo Mondlane, Uria Simango, Samora Machel, entre outros deram para libertar este país.
Pensem nisso, contanto que não vos zangueis comigo, pois há entre vós algumas excepções a esta regra!
Tem a palavra o presidente!